Se as palavras não voltarem a encarnar, se as palavras não voltarem a dizer no Brasil, o passado não passará.
Mas a disputa em torno da palavra “golpe” – se é golpe ou não o processo de impeachment – me parece apontar também para o esvaziamento das palavras.
Basta seguir os que morrem e os que são mortos para saber onde está o golpe e quem são os golpeados.
Para os Guarani Kaiowá, palavra é “palavra que age”.
As palavras que as mães poderiam dizer, as palavras que de fato dizem, não perfuram nenhum tímpano, não ferem nenhum coração, não movem consciência alguma.
Fuente: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/20/opinion/1466431465_758346.html
